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Radiohead - There there |
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Não tenho mãos bonitas, não são grandes! São... robustas. Robustas demais para uma estrutura tão pequena. Fui eu que as fiz. Têm marcas, muitas, demais; não são femininas, não são sensuais, são minhas e fui eu que as fiz! Linhas, linhas, linhas, cruzadas, vincadas, marcas do tempo e do trabalho que não se espelham no rosto. Todas feitas por mim! Seguem-se antebraços secos, rijos, diria: habilmente moldados pela forquilha, a mesma que esculpiu os ombros largos, um tanto baixos, mas firmes, aptos e maltratados, acentes numas homoplatas igualmente largas e tensas! As costas amplas agarram-se numa débil ligação a uma cintura hiperlordosa! Coxas... em tempos poderosas, puro músculo que as tornava disformes mas imbatíveis nos jogos infantis de força e resistência! Os joelhos queixosos, precocemente desgastados; os gémeos torneados, incapazes de achar bens no mercado! Maldita herança de um pai... e os pés, calcados na infância, apresentam-me regularmente a factura. Amanhã preparo tudo para voltar a sentir o corpo arder de dor! Antecipo uma explosão de alegria, o baptismo de novas e tão desejadas marcas, lágrimas, muitas lágrimas, braços! Já ouço o som do ferro na terra batida, uma saudação ruidosa, altruísta e sem mágoa para me lembrar que não fui esquecida, que sou sentida... vou correr, sei que não me vou conseguir conter, vou correr, aconchegar-me naquele manto, dizer-lhes o quanto os amo, o quanto já morri... e vou sentir a resposta na forma de um sopro quente no pescoço. Quero chegar a casa!
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